O Autocoaching de Luiza Chlodovech : La Coquetterie

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : La Coquetterie

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : La Coquetterie

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Depois de voltar ao continente… e de tanto encantamento e beckzinhos… a viagem chegou ao fim. C’est la vie!!!

A despedida de Monica no porto foi algo a parte. Graças a ela e por sua insistência me dei o direito de usufruir um pouco da vida. Fiquei tão emocionada ao abraçá-la… logo eu que busco não me envolver em amizades ou qualquer outro sentimento que possa fazer sofrer. Senti por ela um carinho especial…talvez uma espécie de amor fraternal.

Estava realmente agradecida por tudo o que vivi…pela forma como ela conduziu nossa convivência já que somos tão diferentes…numa cabine dupla. Ela me respeitou e eu cedi tantas outras vezes para fazer companhia para ela em coisas que não tinha o menor interesse… Quem viaja junto tem que ter desprendimento.

Com a pilha recarregada foi possível também cumprir minha promessa e passar uns dias com mamãe e papai. Foi até bom.. acredita?! Glória!

Mamãe como sempre otimista, interessada em minha vida…papai já mais distante parecia me avaliar…mas desta vez não entrei na pilha dele…deixei que olhasse o quanto quisesse. Eu estava em paz…orgulhosa de mim…de poder contar algo que fiz sozinha…as minhas custas. A entrega das lembrancinhas foi um sucesso. Mesmo papai ficou feliz por eu ter “lembrado dele” mas as palavras dele foram:

– não precisava filha.

Je sais!

Pedro foi pra lá também no fim de semana e pela primeira vez encontramos algo para conversar. De alguma forma minha viagem me classificou para o “grupo seleto de interlocutores pessoais dele” ha ha ha…como diz o Suassuna: aquela mulher dividia o mundo em dois grupos: os que tinham, ou não, visitado a Disney, ha ha ha .

Fiquei pensando depois se a mesmice de meu dia a dia não era o motivo principal para este distanciamento, e se não era eu que fugia da conversa com ele por causa de suas experiências em viagens e passeios, aos quais até então, eu não me dava o direito…de qualquer forma desta vez houve uma conexão com ele…o que já não sentia desde quando vim pra São Paulo. Isso também me fez muito bem, além de deixar papai e mamãe muito felizes por nos terem em casa alguns dias, juntos!

Claro que não falei nada dos beckzinhos…eles não entenderiam.

Como respondeu Marilia Gabriela ao Jô Soares quando ele a indagou sobre o que ela conversava com homens mais jovens com quem ela se envolvia, sendo ela “uma mulher tão inteligente e culta”: – “Oras Jô, quando eu quiser ter um papo cabeça ligo pra você. O que busco com eles é outra coisa, ha ha ha!”.

A volta pra minha casa também foi muito prazerosa. Apesar de todo o conforto da viagem…como foi bom entrar e sentir o cheiro de minhas coisas, dormir na minha cama….meu travesseiro…pequenos prazeres que as vezes, no dia a dia, não me dou conta. Bastou sair um pouco e percebi o quanto sou privilegiada por ter pra onde voltar.

Não me falta nada de essencial e agora começo a sentir o prazer com o que chamam de “supérfluo” e o que ele também pode trazer.

Ainda de férias, pude chegar com tempo de arrumar as minhas coisas, ir à terapia e ao coaching. Será isso o que chamam de planejamento? Juro que não fiz de caso pensado…mas foi bom chegar com tempo.

Melissa estava mais eufórica que eu… e a “vibe” dela me deu ânimo pra contar as experiências, incluindo o beckzinho.

Pensei que não havia razão para continuar selecionando o que conto e o que não conto para a terapeuta… dá tanto trabalho ficar restringindo isso e aquilo…como isso me estressa…além do que o mentiroso tem que ter boa memória e não é o meu caso ha ha ha

Então falei da Elba Ramalho na varanda da cabine, do voo, do acordar clandestino em outra cabine… tudo…ou quase. Só não falei da promessa de ano novo.

Ela ria como se eu tivesse me transformado em outra pessoa… talvez uma extraterrestre…mas essa era eu…era eu…enfim autêntica. Ri muito também lembrando das minhas aventuras e estados de inconsciência que me relaxaram profundamente.

Enfim férias.

Nem vi o tempo da sessão acabar… embora isso, até aquele momento, sempre tenha sido um martírio…longo e interminável. Desta vez senti a sessão fluir e talvez depois de quase dois anos com ela tenha sido a primeira vez que eu me mostrei de fato. Muito bom e relaxante. Saí de lá leve porque dessa vez a Luiza mostrou-se sem véus… sem mentiras…apenas uma única omissão ha ha ha

Já no coaching (ou autocoaching já que não relaxo)….. Carolina disse:

– Que linda você está queimada pelo sol e com este vestido amarelo. Você fica muito bem com essa cor. Como foi de viagem? Gostou?

Aqueles olhos inquietantes me lembraram meu lado minhoca…. e fiquei olhando para o corpo dela e imaginando as marcas de seu biquíni. Sustentei  o seu olhar e entrei naquele túnel profundo …de quem quer me revelar… sem dizer uma palavra… e ela também…ficamos ali segundos…numa batalha silenciosa de quem busca a verdade do outro…até que cedi…ela é muito mais forte que eu…e então eu segurei a “onda” e fugi do enfrentamento… enquanto podia!

Autocoaching: O corpo fala

Autocoaching: O corpo fala

Com muito esforço, e muito menos naturalidade do que tive com Melissa, repeti a história, tim por tim tim e ela ouviu tudo atentamente…parecia excitada com aquilo…calada, mas o corpo fala: pernas que se cruzam de um lado para o outro, mãos inquietas…boca seca.. e quando terminei ela estava ofegante e me deu o  golpe:

– Que bom Luiza que aproveitou sua viagem. Fico feliz por você. Parece que até o cigarrinho lhe ajudou a relaxar. Que bom. Mas me diga: você fez promessas de ano novo?

Não havia censura em suas palavras mas uma curiosidade genuína e intensa…para mim quem estava ali não era mais a coach, mas  uma mulher que vive na história do cliente a sua própria fantasia.

Olhei para ela de novo, profundamente, com o mesmo silêncio de antes…ela acreditando que eu buscava me lembrar das promessas, e eu de que havia algo mais entre ela e eu … la coquetterie… ou um complexo contratransferencial que a fazia viajar com minhas experiências….Jung sabe bem do que tô falando!

La phrases les plus belles de l’amour est dit dans le silence pendant un oeil.

– Luiza? Luiiiiza?

Voltei do meu transe com ela me chamando.

– Oi. Desculpe Carolina. Quando estava no convés do navio…os fogos de artifício depois da contagem regressiva…eu vi o rosto de Alexandre olhando pra mim…e a única promessa que fiz foi a de procura-lo.

– Quem é Alexandre, Luiza?

Ah não?! Agora vai querer saber “detalhes” da minha vida…vai começar!!! Sabia que esse negócio de coaching era outra invenção do demônio pra fuçar a minha vida.

Por isso sou a favor do autocoaching. Eu comigo mesma…sem ninguém especulando.

– Um amigo que perdi contato e de quem gosto muito…nada demais.

– Entendo…um amigo de quem gosta muito e que faz parte do seu pedido de ano novo. Ele deve ser realmente especial. Que legal. Podemos usar essa promessa para dar foco no seu processo de coaching?

– Como assim Carolina?!

– Lembra-se daquilo que falamos em sua segunda sessão: precisamos de um  objetivo para sustentar seu processo de coaching. O que o coaching pode fazer por você é garantir que você alcançará aquilo que deseja. Lembra? Daí precisamos ter um objetivo para continuar o seu processo e caminhar nesta direção e entender como podemos estruturar e criar a disciplina que permitirá alcançar seus objetivos. Não precisa ser sua promessa de ano novo, mas precisa ser algo que você queira realizar.

– Lembro sim do objetivo… mas passei anos desejando procura-lo e não fiz.

– Então? Isso não é um bom motivo para você ir atrás desse desejo e cumpri-lo neste momento?

Essa mulher é pilhada…deve existir lá no cérebro dela uma tomada de 330v. A impressão que tenho é que ela tem um rolo compressor atrás de mim dizendo: “vamos, vamos, vamos, mais depressa, mais, mais senão passo por cima!”.

Ai ai… a resposta certa seria: é sim Carolina….é sim…mas daí vou ter que enfrentar as razões por eu ter fugido…de admitir que errei com ele…de que agora ele possa não querer me ouvir…de que eu não faça mais diferença para ele…de que o “time” tenha passado e eu esteja condenada ao arrependimento…para sempre… e o pior: sans pardon!

Mas respondi simplesmente para me livrar e fugir pela porta:

– Tem razão Carolina, está certo. Vamos usar isso.

Só queria sair dali e daquele embate antes que cedesse as tentações: de contar tudo para ela e ceder àquela atração que ela me causava.

Na segunda volto ao trabalho…e à minha rotina, mas tenho certeza que nunca mais serei a mesma. Graças a Deus!

Preciso pensar agora para onde vou nas férias do ano que vem…com Alexandre ou com Carolina.

Pronto! Já começou a viagem he he he.

Leia mais:

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Cotidiano

Neila Cristina Franco

Graduada em Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação; Coach Comportamental certificada pelo Instituto Edson De Paula na Metodologia Coaching Comportamental Evolutivo®; Consultora Disc Etalent; Oradora Profissional formada pelo Instituto Reinaldo Polito; Help Desk Manager pelo Help Desk Institute; Itil Foundation pela Venco Consultoria; Escritora, Palestrante.

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