O Autocoaching de Luiza Chlodovech : Emergir para a vida

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : Emergir para a vida

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : Emergir para a vida

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Emergir é preciso.

Não há atalhos para quem desiste de si mesmo. A retomada é lenta e exige uma longa e dedicada persistência. 

Não foi fácil chegar a esta conclusão… No começo, minha única intenção era dar cabo de tudo, e como confessado, seguir numa estrada que chegasse as estrelas…

Mas relembro das inúmeras vezes que tive oportunidade de dizer como me sentia, mas por temer julgamentos e críticas continuei a vida sem me abrir com ninguém…

Das coisas que um dia gostava e amava fazer, aos poucos foram deixadas de lado, a alegria destas coisas foram sufocadas por sentimentos de incapacidade, desanimo, tristeza, melancolia e medo. Não cultivei amigos, apesar de tantos se aproximarem,  não confiava e muito menos me via estreitando relações e confidenciando nada do que me ocorria. Apesar de tudo, algo eu considerava perfeito em mim: Auto-suficiente! Ninguém é confiável, não preciso de ninguém! Me basto!

Nem mesmo onde paguei para ser verdadeira eu fiz valer o meu dinheiro.

Sessões de terapia pagas e quando ia, mentia com o propósito de continuar ou estender o cenário que fazia com a minha vida real. Fingida. Eu ficava com pena da Melissa quando na verdade a coitada era eu…  acreditava enganá-la… que presunção!

Me apegava ao trabalho, horas e horas me entregando as minhas atividades na intenção de calar as vozes que me assombravam… o caminho de volta para casa era automático, me sentia um robô guiando meu carro junto aos meus passageiros em companhia noturna… Me acusando, lembrando minhas falhas, meu passado… Forcando acreditar o quão medíocre eu era…!

Quase seis meses após aquele momento de profunda tristeza do qual Mônica me resgatou, entendi que havia uma mudança necessária e urgente para garantir minha sanidade, que dirá minha vida.

As sensações de morte súbita… Falta de ar… Palpitações me fizeram procurar um cardiologista…

Foram diversos exames… “500” tipos de hemograma, eletrocardiograma, holter, ecocardiograma  e ergométrico (neste quase morri mesmo!)… De volta ao consultório, o doutor com um olhar um tanto analítico sob os papéis, toma o ar profundamente, e olhando por cima dos seus óculos, apenas me pergunta…

– Você faz acompanhamento psiquiátrico?

Óbvio que eu também havia deixado de informá-lo sobre isso, meu problema não era psiquiátrico, eu estava morrendo do coração, eu sabia que era um enfarto e não era coisa da minha cabeça!

Respondi que sim, mas o vendo calmo e colocando em dúvida todos meus sintomas, me apoiei sobre sua mesa e olhando fixamente, disse:

– Doutor, o senhor não está fazendo a análise correta dos meus exames! E quanto as crises que tive dirigindo?! No meu trabalho, do nada, comecei a passar mal como se algo iminente fosse acontecer e quase desmaiei… Pela manha na minha casa, ainda na cama, como se o teto estivesse encostando no meu nariz sufocando meu peito…? O senhor está querendo simplificar tudo isso como um probleminha psi-co-ló-gi-co?

Ele se superou em sua paciência, mais uma vez tomou fôlego e me pediu que sentasse… até então, nem havia percebido que estava de pé o encarando… Sentei…

– Luiza, entendo sim todos os episódios que você passou, mas os exames clínicos não indicam nenhuma doença arterial coronariana, arritmias ou qualquer outra disfunção!  Os resultados dos exames são normais, e a origem de suas sensações são psicológicas, seus relatos coincidem com crise de pânico e recomendo que retome a visita ao seu psiquiatra!

Quando sua palavras caíram em meu entendimento, veio a lembrança de meu comportamento de menosprezo à medicação prescrita, não acreditava que remédio poderia curar meus pensamentos, acreditava que eu pudesse ficar viciada com aquele monte de remédios…

Sempre os deixava largados sob uma fruteira de cristal, caixinhas aos montes… Tarjas de todas as cores… Venciam sem ao menos serem abertos… Mais dinheiro jogado fora… eu estava financiando minha desgraça!

Desta vez encorajada por meu cardiologista, retornei ao psiquiatra, fiz exames e ele novamente me medicou. Desta vez resolvi não apenas comprar, mas tomá-los. E claro, escondi a fruteira!

Culpava o tratamento de ineficiência, mas não seguia a posologia prescrita.

Ele me afastou do trabalho, estava claro que os sintomas haviam piorado e tomado minha mente por completo. As sensações de medo, perseguição, falta de ar, arritmia, alucinações já haviam se expandido, e me indicou que retomasse a terapia e  suspendesse o coaching até que eu me equilibrasse.

Recomendou que eu buscasse reduzir meu ritmo. Fazer coisas que me dessem prazer, andasse ao ar livre e perto da natureza e buscasse encarar a vida de outra forma. Me alertou que não basta a medicação, ações são necessárias para a mudança!

Prescrito o “tratamento” lá fui eu percorrer uma estrada que nunca tinha pêgo de verdade. 

Voltei várias vezes ao seu consultório para o ajuste da medicação: às vezes dormia demais, ora de menos… um eco nos ouvidos e uma melancolia aterrorizante. Falta de energia para fazer qualquer coisa e um cansaço injustificado.  Aos poucos esses sintomas foram melhorando, mas algumas vezes desejei a morte.  Por isso pessoas desequilibradas não devem ter porte de arma e nem ler a bula de alguns psicotrópicos. Um perigo!

As sessões com Melissa ganharam uma importância que dois anos não haviam me trazido. Muitas vezes saí de lá visitando sentimentos que já não me lembrava: orgulho de alguns de meus feitos;  saudades da minha infância; alegria  de momentos que ficaram escondidos na memória; contentamentos; realizações importantes… ela estava fazendo um bom trabalho resgatando coisas que eu tinha vivido e provavam que nem tudo tinha sido em vão e que eu era CAPAZ.

Essas coisas nos fazem mais fortes por isso manter memórias vivas é tão importante.

Muitas vezes por causa de uma frustração achei que tudo era um fracasso e que não seria capaz de realizar algo relevante… que havia um limite de competência que alcancei e que nenhum movimento era capaz de superá-lo. Enganada novamente. Aos poucos me sentia fortalecida e revigorada, com confiança em mim mesma.

Pela primeira vez me submetia de fato aos tratamentos com o psiquiatra e a psicóloga.

Pela primeira vez me dava uma oportunidade de entender o que se passava comigo, enfrentar o que me incomodava para então me propor a mudar.

Alguns  dias me sinto melhor, em outros nem tanto. Meus medos me visitam mas a coragem os enfrenta… um combate hercúleo que assisto perplexa mas também otimista.

Praia

Os passeios à praia, às montanhas, cachoeiras e aos parques me aproximaram da natureza e me fazem entender o ciclo da vida e recarregar minhas energias a céu aberto. Como é lindo tudo isso… magnânimo…  e como somos pequenos diante da grandeza do universo.

Desta vez me senti parte do Cosmos, parte de algo grande e maravilhoso!

 

 

BibliotecaNos museus, livrarias, cinemas e teatros uma conexão com meu intelecto. Um resgate da minha jornada pelo conhecimento e pela contemplação da arte.  Exerço meu papel expectador diante da história dos meus antepassados e do olhar filosófico de quem conseguiu olhar para a vida e colocar a sua crítica imparcial sobre tudo, desde a primeira visão do nosso sistema solar por Galileu Galilei à genialidade musical de Beethoven!

Somos todos capazes, mesmo que parecendo pequenos diante destes gênios!

 

Não sou exemplo de nada (e estou aprendendo que isso não deve ser minha preocupação), mas aprendi o valor de uma amizade verdadeira.

 

Mônica está sempre comigo, garantindo que eu não desista.

Penso que o amor só nos surpreende se não estamos atentos.

Para  emergir do fundo do poço, apoiei meus pés nos ombros dela e impulsionei o meu corpo para fora voltando a respirar… lentamente…profundamente … e segurei firme o ar nos meus pulmões … boiando acima dos meus problemas e frustrações.

Pronta para recomeçar.

 

Leia Mais:

O Voo do Dragão

No Fundo do Poço

Amor de Redenção

La Coquetterie

Cruzeiro da Inconsciência – Parte 2

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Cotidiano

Neila Cristina Franco

Graduada em Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação; Coach Comportamental certificada pelo Instituto Edson De Paula na Metodologia Coaching Comportamental Evolutivo®; Consultora Disc Etalent; Oradora Profissional formada pelo Instituto Reinaldo Polito; Help Desk Manager pelo Help Desk Institute; Itil Foundation pela Venco Consultoria; Escritora, Palestrante.

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