O Autocoaching de Luiza Chlodovech : No fundo do poço

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : No fundo do poço

O Autocoaching de Luiza Chlodovech : No fundo do poço

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Já é dia… que dia?! Terça, sexta ou seria domingo?! Preciso levantar daqui… mas pra quê?!

Pra quê tomar banho? Comer? Escovar os dentes?!

Gosto de me sentir enterrada embaixo do edredom, cortinas cerradas reforçam a escuridão e solidão do ambiente… Melhor seria se fosse um bunker…

Sinto o sincronismo do movimento dos ponteiros do relógio na parede com as batidas do meu coração…

Sinto que a qualquer momento irá parar de bater… Acho que quero isso…

Mensagem no whatsapp:

– Luiza, o que está havendo? Você não atende minhas ligações, não responde email, não aparece no trabalho, não dá notícia…o que tá acontecendo? Estou preocupada com você. Me liga por favor!

– “O que tá acontecendo Mônica?!” O que tá acontecendo?! Já ouviu falar do fundo do poço?! Pois é… tenho uma novidade pra você: no fundo do poço tem subsolo e é lá que estou… aguardando a vida me faltar… para me libertar de toda essa desilusão… de toda essa frustração e todas as constatações que minha covardia me cobra!

Encontrar Alexandre naquela loja, com família e morando a 2km de mim foi trash!

Pare de chorar Luiza! Isso não vai mudar suas burrices!

Passei minha vida adiando o que era mais importante… precisava planejar mais, estruturar mais, escolher as palavras… ensaiar os diálogos com ele em minha mente e preparar as  respostas… como a atriz que eu pensei que fosse faria… ledo engano… mais um entre tantos outros!!!

Adiei, adiei e fui esquecida.

Eu fugi desse amor…  lá no interior porque eu queria mais da vida. Alexandre um homem bom, simples, tinha seus pes firmes em solo, enquanto eu … Ah… Eu tinha asas!

Disse para Alexandre que a falta de ambição dele não combinava com a mulher que eu deseja ser. Ele julgava minhas escolhas e dizia que eu não estava enxergando o que era essencial para a vida… que estava iludida, vislumbrada por um mundo diferente ao nosso, que para ele era distante e impossível…

Soberba, convencida de si, o humilhei…!

Soberba

Soberba

O repreendi para que não se intrometesse em minha vida, que eu não precisava daquele amor sublimemente romântico dele. Que queria um parceiro civil (quase um contrato comercial) para ir atrás das coisas que eu sonhava: estudar, cantar, ser famosa… ser desejada!

Hoje?!

Queria estudar, não estudei (não o que queria).

Queria ser uma atriz famosa, virei funcionaria pública …

Queria uma sociedade civil e vivo das migalhas do sexo fugaz que encontro aqui e ali (de meninos e meninas) e ninguém me liga no dia seguinte (parece sexo pago, sem vinculo empregaticio).

E como eu gostaria que ao menos um… Apenas um….  ligasse… nunca!

A mesmice que eu tanto condenei se transformou no pesadelo do meu dia a dia, cada vez menor, cada vez mais sem significado. Afinal para quê fazemos planos… a vida é finita… a idade vem… as doenças se instalam… Implacavelmente com aqueles que deixam a vida passar, sem fazer escolhas. Assim foi minha vida… fui seguindo a corrente do rio abaixo sem escolher, apenas vendo a paisagem passando ao meu redor…

Não são as oportunidades que mudam nossas vidas, são nossas escolhas!

Deixei que a vida seguisse sem me posicionar, sem dizer o que queria.

Perdi tantos amigos sinceros… eu era tão querida pela família de Alexandre… eles me adoravam… e agora ?! Agora gostam da nora, cunhada, da amiga que a mulher que ele escolheu para o sonho romântico lhe propiciou…

Quem se ausenta é esquecido, deixa de ser palpável…

Eu?!

Eu sou a anônima, aquela que não está, a “sem talento” que não precisa de palco, de estúdio, de peças para encarnar um personagem…. assumo o papel principal da covarde… aquela que não cultiva amigos porque eles são dispensáveis….por que eles não objetivam… não são úteis ao meu propósito…. mas que merda de objetivos são estes que eu tanto falo?!

Em tudo o que olho e tudo o que vejo, dos feitos dos outros e a minha volta, sou o exemplo do que não ser, do que não fazer. Não há nada pior do que uma pessoa que não é quente e nem fria. Eu não sou nada, morna, sem graça… Não cheiro e não fedo.

Se eu estivesse diante de Deus, Ele me vomitaria…!  Apocalipse 3:16

Quantas pessoas eu conheço? Pior: quantas me conhecem de fato?! Quantas eu posso dizer que fui verdadeira?! Pior: quantos foram verdadeiros comigo?

Nenhuma!

“Sola mors Votum spopondit”

Estrelas

Estrelas

“Apenas a morte é garantida!” Penso em pegar a estrada… Dirigir em rumo a Itatiaia… Ver o ultimo pôr do sol ao longo daquela estrada… Chegar ao cume de um daqueles belos montes… Na densa noite… contemplar o braço da Via Lactea me abraçar… E fazer um delicioso cocktail com aqueles remedinhos que minha psiquiatra me controla… E ficar ali… Olhando fixamente para o meu destino final… As estrelas…

Assim tenho seguido minha vida de zumbi…  Apenas pensando em formas de dar cabo a minha historia. Só penso em tudo o que fiz e não fiz na vida.

 

 

Abismo

Abismo

 

 

Executar exige determinação… ridícula é o que sou, não passo dos planos…

Mas tenho medo… Minha psiquiatra sempre me remete a frase de Friedrich Nietzsche… “Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”

 

Talvez isso tenha me servido como freio… Realmente não sei…

 

Campainha?! Não basta a encheção de saco pelo celular! Quem será agora?!

– Mônica?

– Luiza você está horrível…! O que você tem? Por que não me retornou?

Conforto Amigo

Conforto amigo

Olho direto nos olhos dela… Com raiva por aquela invasão  de meu território de isolamento… Apenas fixo o olhar, sem nenhuma palavra…

De repente me desmorono a chorar numa crise compulsiva…

Mas num momento seguinte ao descontrole, me sinto afagada por seu abraço terno, firme e quente… daquela que cansou de esperar por mim e veio ao meu encontro, minha amiga, minha última chance de me tornar humana!

Estou protegida!

 

 

Leia mais:

O Voo do Dragão

Emergir para a Vida

Amor de Redenção

La Coquetterie

Cruzeiro da Inconsciência – Parte 2

Cruzeiro da Inconsciência – Parte 1

Rapport da Covardia

Encurralada pelo coaching

Minhoca para Adultos

Medos

Culpa

Casulo

Cotidiano

Neila Cristina Franco

Graduada em Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação; Coach Comportamental certificada pelo Instituto Edson De Paula na Metodologia Coaching Comportamental Evolutivo®; Consultora Disc Etalent; Oradora Profissional formada pelo Instituto Reinaldo Polito; Help Desk Manager pelo Help Desk Institute; Itil Foundation pela Venco Consultoria; Escritora, Palestrante.

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