O Autocoaching de Luiza Chlodovech: O Voo do Dragão

O Autocoaching de Luiza Chlodovech: O Voo do Dragão

O Autocoaching de Luiza Chlodovech: O Voo do Dragão

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O Voo do Dragão.  A sensação é de extrema liberdade…  Vento no rosto… Sinto o sol… seu calor arde minha pele com delicadeza, e ao mesmo tempo absorvo sua energia, sinto-me livre, estou viva!

Não encontro limites, posso ir a todos os lugares, posso contemplar a exuberância da natureza…

E fazer o que mais gosto… Pairar sobre as águas!

Reflexo

São voos rasantes sobre a água, consigo sentir seu frescor, sem ao menos tocá-la, mesmo sendo o tempo todo desafiada pela gravidade, a venço sem muito esforço, e tenho o controle sobre tudo!

 

Mas tudo sempre termina… termina quando pairo sobre um espelho d’água, num momento que parece eterno e contemplativo…

Reflexo do dragão

A visão é arrebatadora, a penumbra alaranjada se desfaz no profundo contraste do azul, é de tirar o fôlego!

Mas num momento seguinte, minha visão é levada para baixo, e neste momento vejo meu reflexo sobre o espelho d’água…

O crepúsculo não é somente do sol, mas da alma!

Num olhar profundo e estático, não apenas vejo meu interior, minha alma, mas me vejo fisicamente, e neste ponto, é um momento de surpresa, encanto, terror e dúvida… dúvida de quem realmente sou…libélula ou dragão?

Mas o espelho d’água não mente, e me vejo em forma de um Dragão!

Não um Dragão qualquer… um Dragão voador!!!

Posso ver minhas asas e ouço o seu intenso farfalhar… Minhas cores são intensas e furtantes, quatro asas longas, fortes e translucidas…

Um maravilhoso inseto com alma humana… Mais conhecido no ocidente por libélula – o dragão voador!

Repentinamente sou roubada daquele momento único e libertador para a realidade, e acordo suando frio, buscando o ar como quem sobe de um profundo mergulho… A sensação eh surreal…!

Passado um ano desde o início de meu tratamento psiquiátrico e psicoterápico, tenho sido arrebatada por estes sonhos repetidos com libélulas.

Mas nos sonhos a referência é de que eu mesma sou essencialmente uma delas. Muito louco isso. Sou eu dentro dela, mas nas dimensões e nos aspectos dela, corpo e alma fundidos num inseto!

A indagação e inquietação sobre a recorrência destes sonhos me levou a buscar respostas, e de imediato recorri a psiquiatria.

Imaginava que pudesse ser algo quimicamente induzido em minha mente pela medicação, estímulos imaginários, como que alucinações.

Mas a medicação vem sendo seguida com muita disciplina, quase que religiosa, e alucinações se dão em indivíduos em estado de lucidez, ou seja, acordados, e no meu caso, se dão em sonhos…

Eu ainda não tinha resposta para tudo isso, e minha inquietação apenas crescia.

Teia dos sonhosMuitas coisas passaram em minha cabeça enquanto esta “visão” em sonhos era repetida noite após noite…numa teia infinita e perturbadora.

Criada num ambiente católico, desacreditava que isso pudesse ser vestígios de memoria de uma vida passada…

Na psicoterapia, fui incentivada a buscar respostas para esta analogia que meu intimo estava trazendo a tona.

O que este ser tão misterioso e frágil estava tentando me dizer…?

 

 

Do consultório, segui direto para uma biblioteca. Passos firmes e acelerados, coração aflito, alma sedenta, lá seria meu portal de conhecimento para meus questionamentos!

Depois de uma longa busca por livros relacionados a dragonfly, libélula, helicóptero, lava-bunda, etc…

Com uma pilha sobre a mesa, o aroma de velhice daqueles livros abriu meu apetite por respostas…  me debrucei sobre eles, e ali comecei minha busca.

Realmente a literatura me trouxe diversas informações, algumas até um tanto aterrorizantes, como ocorrido no século XV quando, na Europa, estes insetos eram associados às serpentes e ao Diabo, e eram realmente símbolos temidos.

Os ingleses chamavam-lhes de “hos-stingers” e os australianos de “horse-stingers”.

Acreditavam que esses nomes advinham do fato das libélulas andarem em volta dos cavalos enquanto estes se demonstravam inquietos, na verdade criam que as libélulas mordiam os cavalos, mas na verdade quem trazia tal incomodo eram moscas, e que destas as libélulas se alimentavam.

As libélulas eram ainda designadas por “Devil’s Darning Needle” algo que soa como “A ousada agulha do diabo”, devido a uma cômica superstição sobre a capacidade destas costurarem as bocas das crianças mal comportadas enquanto dormiam.

No folclore sueco, as libélulas são chamadas de “Blindsticka” ou “Blind Stingers” (algo como que uma vara para cegar os olhos) e são capazes de arrancar os olhos humanos.

Os Suecos acreditavam ainda que as libélulas eram usadas pelo Diabo para pesar as almas das pessoas (daí chamados de “Balanças do Diabo”).

Ainda hoje diz-se que se uma libélula sobrevoar a cabeça de alguém, então esse alguém pode esperar um grande mal.

Mas a sua conotação não é apenas maligna, após muita leitura, ao menos algo bom começou a surgir, já imaginava que tudo estava perdido, depois de tantos sinais de um pressagio tenebroso, as próximas linhas me permitiram ver o céu abrir e redescobrir a esperança!

Cada palavra lida se transformava num elixir que me trouxe fôlego, e logo descubro que na Suécia, as libélulas simbolizavam algo muito bom…

A deusa nórdica “Freya”, a deusa do amor, da beleza, fertilidade, riqueza, da guerra e da morte…!

Após tanta leitura, começo entender porque há muitos que tenham asco, ou que digam que elas são pequenas, frágeis e ágeis. E que por tantos motivos,  desencadearam tantas lendas…

Mas elas também representam o símbolo da transformação e do processo contínuo de mudança, além de serem exímias voadoras mudando de direção com muita rapidez.

Quem dera que me assemelhasse a elas nisso…quem dera!

Na cultura asiática elas são consideradas mensageiras da renovação e força positiva para a vida.

Quando tocam a água em seus voos enérgicos criam aquela vibração que movimentam ondas que representam a imersão de nossos pensamentos e o poder deles…

Sensibilizam-nos sobre os aspectos essenciais da vida.

Ao tocar leve e rapidamente a água (fiz muito disso em meus sonhos, era maravilhoso…!)… sugerem que nossos pensamentos mais profundos emerjam, venham até a tona… e vão para além da superfície (onde as coisas apenas “parecem ser”) e buscar as vibrações  mais densas porque é de lá que os aspectos da vida se manifestam verdadeiramente.

Com agilidade e capacidade de se moverem em todas as direções demonstram um poder de equilíbrio – o que só acontece em sua vida adulta, ou seja, na sua maturidade.

Talvez seja isso… não me sinto madura AINDA e portanto não inicio o voo de fato.

No meu sonho sou levada a olhar para baixo, momento em que minha verdadeira identidade é revelada…

Elas se movimentam para frente, para trás, pairam, para cima, para baixo, para os lados, como o sopro da mente que nada tem que o prenda… como minhas primeiras sensações pós medicação… um voo descontrolado… Desapegado… liberto e perigoso.

A vida é um sopro…. longo e denso…. Um voo rasante sob o espelho d’água … segure-se quem puder!

Dizem que as libélulas só vivem um dia, mas não é verdade.

As libélulas vivem a grande parte de sua vida como uma criança, imaturas.

Voar é apenas uma fração de suas vidas e duram apenas alguns meses.

Ao alçarem voos, elas já são adultas e o fazem intensamente.

Voam freneticamente gastando a energia acumulada… não há tempo para perder… logo o fim virá e o sol irá se por definitivamente!

Elas nos lembram que somente vivendo o agora é que estamos em plena consciência de quem somos, onde estamos, o que fazemos, o que queremos e o que não queremos.

Em seus voos desesperados alertam sobre a necessidade de viver.

Elas simbolizam também a coragem, a força e a felicidade.

Esses os meus desejos mais secretos.

Os Vietnamitas preveem as chuvas pela maneira como as libélulas voam – voos baixos significam chuva chegando, os altos- significam dias de sol.

Para o Budismo Teravada representam três valores:

  • desapego (do estresse)
  • humildade (com seu entorno)
  • efemeridade (do momento)

Dentre todas literaturas, minha alma se encontrou com katsumushi…

No Japão as libélulas simbolizam a vitória nas batalhas! Um dos seus nomes é “katsumushi”, o inseto invencível!

armamento_libelula

Era um dos símbolos favoritos entre os guerreiros japoneses, e os samurais incorporavam  o desenho de libélulas em seus armamentos.

Diz uma lenda que o Imperador do Japão foi mordido por um moscardo, conhecido aqui no Brasil como motuca, e que mais tarde foi devorado por uma libélula.

Para homenagear a libélula ele chamou ao Japão de “Akitsushima” ou “A ilha da libélula”.

Sabe-se que ainda no Japão as libélulas são símbolo de sucesso, vitória, felicidade, força e coragem.

Se estes sonhos repetitivos tem em seu significado estas maravilhosas histórias, e se sou eu mesma uma delas, quero viver sob esses princípios, buscando minha vivacidade, sem arrependimentos, como uma libélula adulta faz… vivendo a vida intensamente, com forca e coragem!

 

Leia Mais:

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No Fundo do Poço

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Cruzeiro da Inconsciência – Parte 2

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Neila Cristina Franco

Graduada em Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação; Coach Comportamental certificada pelo Instituto Edson De Paula na Metodologia Coaching Comportamental Evolutivo®; Consultora Disc Etalent; Oradora Profissional formada pelo Instituto Reinaldo Polito; Help Desk Manager pelo Help Desk Institute; Itil Foundation pela Venco Consultoria; Escritora, Palestrante.

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